terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Consumo frequente de frituras está ligado a maior risco de câncer de próstata



   O consumo regular de alimentos fritos tais como batatas fritas, frango frito ou mandioca frita está associado a um risco aumentado de desenvolver câncer de próstata, e o efeito parece ser maior para as formas mais agressivas da doença, de acordo com um estudo de cientistas do Centro Fred Hutchinson de Pesquisa sobre o Câncer nos EUA.
   A autora principal, Janet Stanford, e colaboradores da Divisão de Ciências da Saúde Pública do Centro Hutchinson publicaram suas descobertas na revista "The Prostate".
Estudos anteriores já haviam sugerido que o consumo de alimentos cozidos em alta temperatura, como a carne grelhada, pode aumentar o risco de câncer de próstata. A nove pesquisa é a primeira a adicionar a fritura à essa equação de risco.
O consumo de alimentos fritos já está associado aos cânceres de mama, de pulmão, de pâncreas, de cabeça e pescoço e do esôfago. Agora o câncer de próstata foi adicionado a essa lista.
A relação entre o câncer de próstata e o consumo de alimentos fritos pareceu ser limitada ao nível mais alto de consumo --definido na pesquisa como mais do que uma vez por semana.
   Os homens que relataram comer batatas fritas, frango frito, peixe frito e/ou donuts pelo menos uma vez por semana tinham um risco aumentado de ter câncer de próstata em comparação com os homens que disseram que comiam esses alimentos menos de uma vez por mês.
   Em particular, os homens que comeram um ou mais desses alimentos semanalmente apresentaram um risco aumentado de câncer de próstata que varia de 30% a 37%.
O consumo semanal destes alimentos foi associado também com um risco levemente maior de apresentar um câncer de próstata mais agressivo.
   Os pesquisadores controlaram fatores como a história, idade, raça, histórico familiar de incidência de câncer de próstata e massa corporal, entre outros, ao fazer o cálculo da associação entre comer alimentos fritos e risco de câncer de próstata.
   Stanford e colegas analisaram dados de uma base populacional de estudos envolvendo um total de 1.549 homens diagnosticados com câncer de próstata e 1.492 homens saudáveis pareados por idade. Os homens eram caucasianos e afro-americanos residentes da área de Seattle com idades entre 35 e 74 anos. Os participantes foram convidados a preencher um questionário dietético sobre o seu consumo habitual de alimentos, incluindo especificamente alimentos fritos.

FORMAÇÃO DE TOXINAS

   Fritar os alimentos pode desencadear a formação de substâncias cancerígenas que serão consumidas junto com os alimentos.
   Os possíveis mecanismos por trás do risco aumentado de câncer incluem o fato de que, quando o óleo é aquecido a temperaturas adequadas para fritar, compostos potencialmente cancerígenos podem formar-se no alimento frito.
  Os compostos cancerígenos incluem acrilamida (encontrado em alimentos ricos em carboidratos, como batatas fritas), aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (substâncias químicas formadas quando a carne é cozida a altas temperaturas), aldeído (um composto orgânico encontrado no perfume) e acroleína (substância química encontrada em herbicidas).
  A concentração desses compostos tóxicos aumenta com a reutilização de óleo e o aumento do tempo de fritura.
   Um peito de frango frito submerso em óleo por 20 minutos contém mais de nove vezes a quantidade de compostos tóxicos do que um peito de frango cozido por uma hora, por exemplo.
  Como alimentos fritos são principalmente consumidos fora de casa é possível que a ligação entre esses alimentos e risco de câncer de próstata seja um sinal de alto consumo de fast foods em geral.

                                                



Fonte: 
Jornal Folha de São Paulo - 29/01/2013

Marni Stoot-Miller, Marian L. Neuhouse, Janet L. Stanford - Consumption of deep-fried foods and risk of prostate cancer -"The Prostate" Article first published online: 17 JAN 2013

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